Cães e bebés

 

 

 

 

Chegou a nossa casa dentro de uma caixinha de cartão... castanhinha, reguila, gania e saltava para eu a tirar de lá... Quando chegou, já tinha preparada para ela uma coleira, uma caminha e o comedor e bebedor, tudo em vermelho porque o dono é do Benfica e havia que convencê-lo que isto era uma boa ideia  ;-) ...

A minha menina chegou pela mão da Zé, a sua madrinha. Esteve para se chamar Xica... mas cumprindo uma tradição de família, acabou por se chamar Suka, que é como se diz cadela em russo (em pequena já tinhamos tido um Dog).

Foi um bebé difícil... Talvez por termos sido demasiado rígidos com as rotinas nos primeiros dias... acabou por nos fazer ceder em certas coisas, como por exemplo, o dormir na nossa cama... Quando acordámos a meio da semana às 4h30 da manhã com ela a ganir à nossa porta tivémos de nos render... Fez-nos passar por muito: uma gastroentrite dois dias após ter chegado a nossa casa, a sua tara por morder mãos, roia tudo o que lhe aparecia à frente... mil e uma coisas que vou recordando de vez em quando... mas com poucas saudades.

Quando engravidei, muita gente me perguntou: "O que é que vais fazer ao cão? Vais livrar-te dele?". Para mim é impensável pensar sequer que tinha de fazer alguma coisa à cadela... Como é que pode passar pela cabeça de alguém abandonar um ser que foi criado por nós? De quem somos pais adoptivos? Será que essas pessoas consideram livrar-se do filho mais velho quando ficam grávidas do segundo???!!!!

Durante a gravidez, quando o dono não estava a Suka dormia comigo para me fazer companhia, muito chegadinha à minha barriga e várias vezes sentiu o ZP a mexer-se na minha barriga. Era mesmo engraçado o ar admirado dela a olhar para a barriga, quando o sentia mexer.

Quando saímos da maternidade, chegámos a casa e metemos o ovinho em cima da mesa da sala, a Suka em cima de uma cadeira e deixámo-la cheirá-lo. Ficou excitadíssima. Tanto que o dono resolveu ir com ela à rua para espairecer e fazer xixi. Saíram os dois de casa e quando voltaram o Zé vinha zangado com ela, porque a menina tinha corrido para o sítio do xixi e quando o dono lá chegou, já ela tinha voltado para a porta do prédio. Então havia uma novidade daquelas e ela era tirada de casa? Nem pensar...

A convivência entre os dois sempre foi pacífica... A Suka sempre teve imensa paciência para ele. Quando o ZP começou a agarrar, ela ia lambê-lo e ele agarrava-lhe a língua e ela esperava pacientemente que ele a largasse... de língua de fora, muito quietinha. Ao início, quando o zp estava numa mantinha no chão tinhamos o cuidado de não a deixar estar na mesma divisão, mas aos poucos fomos revogando essa lei... Ela dormia muitas vezes debaixo da caminha dele, quando ele passou para o quarto dele com um mês e meio. Jogam muitas vezes à bola no corredor. Quando o ZP vai passar alguns dias com os avós na aldeia, tem de levar a Suka, ficando a nossa casa tão vazia... sem as nossas crias...

Não sou especialista nem em pediatria, nem em veterinária, mas acho que conseguimos uma boa convivência entre o bebé (agora já com 5 anos) e a cadela.

 

De qualquer forma, para quem esteja a necessitar de alguma ajuda mais informada, no site "Vivapets", encontrei um artigo sobre os bebés e os cães:

"A chegada de um novo bebé dita muitas vezes a partida do cão, seja para outra casa ou até mesmo para o canil ou para a rua. Com uma boa educação e sempre supervisionados, cães e crianças podem-se tornar os melhores amigos. Frequentemente, aquela recordação doce da infância está relacionada com um animal de estimação.

Assim que se descobre que a família vai receber um novo membro, é necessário ter a certeza que daí a alguns meses, tudo está pronto para receber o novo bebé. No que diz respeito ao cão não é necessário encontrar-lhe uma nova casa, mas sim iniciar ou reforçar o treino de obediência básica.
Cão educado
O cão deve ver o dono como líder e cabe ao dono ditar ao cão o que este pode ou não fazer. Se o cão obedecer ao dono, torna-se mais fácil controlar as suas reacções. O cão deve obedecer sem resistência aos comandos “deita”, “senta” e “fica” e vir também quando é chamado.
Outro aspecto importante a treinar com o cão é a recepção que este faz aos donos. O cão não deve saltar para os receber, pois vai passar a ser comum entrarem com o bebé em casa. Se não tiver experiência no treino de cães, pode recorrer a um profissional que o vai auxiliar nesta e noutras questões.
Para tentar dar algum realismo ao treino do cão, pode ensaiar as tarefas diárias que vai ter com o bebé em frente ao cão, por exemplo, passear com algo no colo de um lado para o outro ou embalar um boneco na cadeira de baloiço.
Lembre-se que o treino deve ser feito com base no reforço positivo, isto é, recompensar o cão sempre que ele obedecer aos comandos. Se persistentemente castigar o cão, ele acaba por associar o bebé a castigos e assim comprometer a relação entre os dois.
Para além das actividades, pode ser útil habituar o cão ao choro do bebé. Para isso existem CD’s ou até vídeos na internet que pode por a tocar em casa.
 
 
Vinda do hospital
Geralmente a mãe passa alguns dias no hospital na altura do parto e é normal que quando regressa, o cão a receba de forma entusiástica. Por isso, a dona deve entrar em casa sem o bebé, para evitar castigar o cão por estar entusiasmado com a vinda da dona e possivelmente até saltar. Depois, quando o cão acalmar, o dono pode entrar com o bebé.
O cão e o bebé só devem ser apresentados quando o cão estiver calmo e o bebé, de preferência, a dormir, para que o facto de o bebé se mexer não causar muita excitação no animal. Um dos pais deve segurar o bebé e o outro deve segurar o cão pela trela. Não é necessário que o cão se aproxime demasiado do bebé, basta permanecer a alguns metros, já que os cães têm um óptimo faro e não necessitam de colar o nariz ao bebé para sentir o cheiro dele. Ao apresentar o bebé, mande o cão sentar e ofereça-lhe recompensas se este se mantiver sentado.
Depois da primeira apresentação, pode repetir o ritual ao longo de alguns dias e quando sentir que o cão não vai saltar para o bebé ou tentar mordiscar, pode retirar a trela ao cão.
Acesso limitado
Se tiver um cão demasiado activo e excitado, pode ser melhor não deixar o cão entrar no quarto do bebé. Isto permite-lhe cuidar do bebé, mudar a fralda, dar de mamar, etc. sem que o cão esteja a incomodar. Também é útil quando o bebé está a dormir. Se, pelo contrário, o cão é bastante obediente e permanece calmo, deitado quando o manda, poderá deixar o cão entrar no quarto do bebé quando acompanhado.
Supervisão constante
Nunca deve deixar o cão interagir com o bebé sem supervisão. Os cães são animais de instintos que podem associar os bebés a presas ou brinquedos, devido ao pequeno tamanho. Os cães são particularmente atraídos pelo barulho, os choros, e o abanar das pernas e braços.
Sem negligência
Se pretende que o cão não se ressinta da vinda do bebé para casa, deve continuar a dar-lhe o carinho que antes demonstrava. Reserve meia hora por dia para uma sessão de brincadeira, enquanto o bebé estiver a dormir.
Preocupação
É natural que os pais estejam preocupados e ansiosos com o novo rebento, mas se mantiverem a supervisão da interacção da criança com o animal, não há razão para grandes alarmismos. A maioria dos cães adapta-se aos bebés sem problemas, desde que os donos continuem a dar ao cão a atenção a que tinha direito antes do nascimento do novo bebé.
www.vivapets.com"
 

 

publicado por D. às 23:32 | comentar | favorito | partilhar